Todos os políticos que se demitiram ao longo do dia são deputados eleitos pelo Partido Trabalhista e exerciam funções no executivo de Tony Blair, a maior parte dos quais como conselheiros ou assessores dos principais ministros do gabinete.
A demissão mais significativa partiu do secretário de Estado da Defesa, Tom Watson, que escreveu uma carta aberta ao primeiro-ministro.
«Com muita tristeza tenho de dizer que já não acredito que a sua continuidade no Governo beneficie o partido e o país», lê-se na carta enviada por Tom Watson a Tony Blair.
Watson defende que é necessária «uma renovação urgente na liderança» e pede a Blair que assuma a data em que a pretende fazer.
«Com a claridade necessária para podermos avançar para o próximo ano», acrescenta.
O próprio Tony Blair já respondeu à mensagem, também através de uma carta aberta, lamentando a decisão de Tom Watson e considerando que ele foi «desleal» e «está enganado» no que escreve.
Tal como os restantes políticos que se demitiram e como outros deputados trabalhistas que não fazem parte do Governo mas já assumiram a mesma posição, o argumento dos críticos do primeiro-ministro é que é preciso definir uma data de saída para começar a planear as próximas eleições.
O jornal The Sun noticiou hoje, citando fontes próximas do primeiro-ministro, que Blair pretendia demitir-se do cargo de primeiro-ministro no dia 31 de Maio de 2007, quando completar dez anos à frente do governo britânico.
A notícia foi considerada credível já que o jornal, que apoiou Blair nas últimas três eleições gerais, tem acesso privilegiado a Downing Street, e por isso mesmo já antecipou várias datas que o primeiro-ministro decidiu no passado, como o calendário das eleições.
Alguns dos ministros mais próximos de Blair, como John Hutton, Hilary Benn, David Miliband e Hilary Armstrong, desdobraram-se entretanto em entrevistas, nas últimas horas, para tentar acalmar a polémica dentro do partido.
O argumento dos defensores do primeiro-ministro é que é má estratégia avançar mais pormenores sobre o assunto neste momento e que é suficiente indicar que a mudança na liderança se realizará no espaço de um ano.
«Esperamos já ter um novo líder para a conferência do partido em Setembro de 2007», avançou, ainda assim, o ministro Hilary Armstrong, o que pode confirmar a intenção de Blair abandonar Downing Street em meados de Maio, para dar lugar a uma disputa eleitoral interna antes de Setembro.
No entanto, os críticos, ou «deputados rebeldes», consideram que estas garantias não são suficientes e querem ver o próprio governante confirmar este cenário publicamente.
Caso não o faça, especula-se que sejam feitas por alguns deputados novas cartas de protesto contra o silêncio de Blair, que poderão circular durante a próxima conferência dos trabalhistas, a 24 de Setembro, para aumentar ainda mais a pressão sobre Blair.
Diário Digital / Lusa